terça-feira, 21 de outubro de 2008

Em qual mundo vivemos??




Eu sei que fatalidades existem e que as vezes não temos controle nenhum a respeito de algumas situações que ultrapassam o limite do ponderável.
Mas a verdade é que tenho medo de policiais e de bandidos.
O medo dos policiais é mais ou menos como aquele que as pessoas tinham quando os nazistas faziam a inspeção em um campo de concentração. Não se sabia se era a hora de morrer ou viver. Mais ou menos como nascer de novo quando sobrevivemos a algum acidente.
O medo de bandidos é diferente, pois não os vemos e não precisamos deles. Tomamos algumas medidas para evitá-los, como deixar de ostentar algo ou desistir de alguns sonhos para não "não dar na vista" e "chamar ladrão"; evitamos alguns caminhos e horários para não sermos abordados. Enfim, diminuimos os riscos para não sermos atingidos.
Gostaria muito de confiar nos homens que juraram nos proteger, e sei que existem muitas pessoas e pais de família que são policiais e também ficam com medo disto tudo. Também sei que em um contingente do tamanho desta corporação, estes acontecimentos são uma ínfima parte percentual em uma estatística. Porém, um dia fiz uma bandalha por necessidade na estrada onde eu moro, e todos sabem o que é uma bandalha destas. Fiz por que precisava levar minha neném ao médico com minha esposa. Fui abordado por uma patrulha policial que estava passando e apontaram uma arma grande na minha cabeça, acho que era um fuzil ou algo assim, avisei que estava com minha esposa e neném, e que iria levá-la ao médico por causa de uma alergia que estava formando placas vermelhas em seu corpinho. Os policiais me ordenaram seguí-los até a cabine deles, que era a 15km dalí. Eu pedi para deixar pelo menos a minha esposa e filha em casa, eles foram nos escoltando para não fugirmos. Isto era inacreditável.
Graças a Deus deixei-as em casa, e eles, que ainda aguardavam na rua onde moro, me ordenaram seguí-los. Quando chegamos na cabine onde eles ficam, sairam do carro ainda de arma na mão e um deles me chamou em um canto para perguntar onde eu trabalhava e o que eu fazia. Parece que eles queriam ter certeza que eu não era funcionário público ou algo assim, pois insistiam nisto. E eu não sou.
Indagaram que a multa para a minha "bandalha"era em torno de 500 reais e que eu tinha dado azar, pois todos fazem aquela bandalha, mas eles me viram, tinha sido na frente deles e coisa e tal. Foi quando me chamaram para ir atrás da cabine com eles. Achei estranho, mas já desconfiava da intenção deles. Eu fiz então uma pergunta que eles queriam ouvir: "Não tem outro jeito de resolver esta questão". Aí eles falaram quanto? Eu imediatamente pensei e falei 150 reais. Nem sei por que falei este valor. Achei que era um valor razoável, sei lá. Ele, pois era um só neste momento, perguntaram se eu estava com a "parada"comigo, e eu falei que não e que tinha que ir em um caixa eletrônico. Me informaram onde havia o caixa a mais ou menos 10km dali em um supermercado Extra, e me pediram pela primeira vez um documento, só que era para garantir meu retorno. Entreguei a carteira de motorista que uso como identidade também. Eles me esperariam o retorno. Ainda perguntei se eu fosse parado por outra "polícia", como iria fazer? Ele me informou que era só falar que o assunto já estava resolvido com o tenente "fulano", não vou dizer o nome por razões óbvias.
Fui ao local indicado, peguei o dinheiro, retornei. Outro policial me pediu para ir atrás da cabine com ele e ainda indagou que conhecia o local onde eu moro, pois o irmão dele morava por lá. Perguntou se eu conhecia ele, e como eu não conhecia, ele sorriu. Entreguei o dinheiro e ele puxou alguns documentos do bolso. O meu não estava alí, após algum tempo de espera ele apareceu com minha carteira, e ainda me informou que eu poderia causar um acidente muito sério com a besteira que eu estava fazendo.
E que era para eu trocar de carro, pois minha van estava uma merda. Ocorre que meu carro era um vectra, e que a bandalha que havia feito não era perigosa. Mas aterrorizado que estava, nem repliquei. Eu queria pegar meu carro e voltar para casa para saber de minha neném.
Fui embora com as pernas tremendo e enojado por causa desta ínfima parte percentual em uma estatística do contingente policial.
Todos, eu repito para enfatizar, todos os meus conhecidos têem uma história como esta. Um abuso causado po quem tem que nos proteger.
Peço por favor, para sermos mais humanos e regular nossas ações um pouco mais.
Houve um desfecho horrendo para mais uma história envolvendo a polícia.
Já houveram o Caso João Roberto, o ônibus 174, Candelária, Vigário Geral e muitos outros casos que "alimentam" a mídia, esta mídia que destorce a opinião pública e faz os policiais se sentirem "injustiçados", ao ponto de utilizarem medidas preventivas menos eficientes, e trabalhem nestes casos, não para proteger o ser humano, contribuinte, eleitor, familiar, meus filhos e nós mesmos, mas para se proteger do que pode ser resultado das ações necessárias e eficazes que estão sempre sendo questionadas pela mídia.
Por volta das 18h , houve o desfecho do caso horrendo de sequestro envolvendo os jovens Lindemberg e as meninas Eloá e sua amiga Nayara. As 18h e 25 minutos a imprensa estava fazendo uma análise da ação policial. Com um ex comandante do BOPE e Ex secretário de justiça, um Coronel da PM.
O que fazer???
Somos nós os culpados?
Ainda não somos educados?
Ainda não somos evoluídos?
O que fazer, a não ser dar o exemplo a meus filhos?

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